Cronograma revisado

Setembro 15, 2008

01/09: conclusão dos capítulos sobre “Gimba” e “A Semente”
08/09: “Arena Conta Zumbi”
15/09: “Nasce um comunista, nasce um artista” (Infãncia/ TPE)
22/09: “Os estudantes vão ao teatro” (TPE-Arena-Boal)”, “Black-tie II”,”Eu vi um Brasil na TV” (teleteatro)
29/09: “Volta ao lar” (Nacionalização dos clássicos), “1964″ (crônicas, Filho do Cão, Bolívia, Tartufo, Opinião), “Musicais” (continuação do Zumbi)
06/10: “E fez-se a telenovela” (cap13)”, “Ninguém lembra bem ao certo” (1968, fim do Arena, Marta Saré, Castro Alves),

13/10: “Choram Marias e Clarices” (Botequim, Grito, Ponto de Partida), “O menino é o pai do homem” (filme Black Tie),

20/10: “Entre uma dose e outras” (Cambalacho/ Secretaria da Cultura/ anos 90/ começo da doença)

27/10: Revisão dos capítulos (verficar informações em aberto, dados repetidos, dar títulos, determinar odem definitiva). Fazer índice, bibliografia, paginação.

03/11: Entrega.

Guia da capítulos

Setembro 14, 2008

I. Um estado novo

INFÂNCIA E JUVENTUDE
O objetivo deste trabalho, dado o seu alcance restrito de projeto de graduação, não é fazer um apanhado de toda a vida de Guarnieri, mas focar principalmente nos momentos em que sua vida cruza com a história de seu país.
Dessa forma, o capítulo sobre os primeiros anos será breve e servirá mais para dar um back ground.
Apresenta os pais – músicos italianos que fugiram por conta do regime de Mussolini –, fala da infância no Rio de Janeiro, personagens que conheceu do morro e que inspirariam sua obra (como Romana, empregada que inspiraria a Romana de Black-tie) e os primeiros anos na escola (fazia teatro no ginasial e chegou a ser expulso por imitar o padre-diretor).

NASCE UM COMUNISTA, NASCE UM ARTISTA
O pai de Guarnieri era do Partido Comunista, e sua preocupação social e a freqüência a assembléias influenciaram o filho. Guarnieri, na escola, entre 13 e 14 anos, começou a participar da Juventude Comunista, tornando-se presidente da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundários.
Foi nesse meio que conheceu alguns futuros grandes amigos, como Vianinha e Vera Gertel.
Como desmembramento das atividades políticas, criaram um grupo amador de teatro, o Teatro Paulista do Estudante (TPE), em um momento em que a cena teatral paulistana estava extremamente aquecida.

ENQUANTO ISSO, NA TEODORO BAIMA…
Reuniões da Juventude Comunista e do TPE aconteciam na casa do pai de Vianinha, um apartamento na Rua Teodoro Baima. Guarnieri ia pra lá e passava na frente da reforma do prédio de esquina, construía-se um teatro. Lembra do cheiro de tinta e da vontade de ser parte daquilo.
Embora não tenha participado dos primeiros anos do Arena (foi fundado em 1953, Guarnieri só entrou em 56, quando José Renato convidou o TPE pra integrar o elenco), aqui será contada brevemente a criação do Teatro de Arena – primeiro nesse formato na América Latina.
Valerá um perfil da cena paulistana, a partir do gancho do TPE apresentado no capítulo anterior; contextualizando um pouco desde a revolução (mesmo que burguesa) do TBC, até Arena, TPE e as várias companhias profissionais e amadoras que surgiram na mesma época (cia Maria Della Costa, Nicete Bruno, Dercy Gonçalves, Beatriz Segall…)

II. Cinqüenta anos em cinco

OS ESTUDANTES VÃO AO TEATRO
Para ampliar e rejuvenescer o elenco fixo de seu grupo, José Renato convida os integrantes do TPE a participarem do Teatro de Arena, em 1956. É nesse ano também que um meio-gringo, depois de dois anos em Nova York, entra no grupo para dividir a direção com Zé Renato – Augusto Boal.
É essa fusão que, aos poucos (isso só vai se escancarar em 58, com Eles não usam black-tie), vai “politizando” o Teatro de Arena, que até então seguia mais a linha do TBC de grandes montagens estrangeiras.
O TPE traz os estudantes que discutiam desigualdade social nos corredores e iam escondidos a encontros operários. O Arena vai deixando de ser uma extensão da burguesia do TBC para ser um espaço cultural freqüentado por estudantes.
É ainda na mesma época (1958) que estudantes de Direito do Largo São Francisco começam a formar o Teatro Oficina, que seguiria uma trajetória paralela ao Arena nos anos seguintes.

UM ANO CHEIO
1958 foi um ano cheio para Guarnieri, entre seus 23 e 24 anos. Ele ficou noivo, se casou, salvou o Arena da falência e mudou o teatro brasileiro em poucas tacadas.
Seu noivado aconteceu no dia em que estreou Eles não usam black-tie, que revolucionava o teatro brasileiro por reanimar a figura do autor nacional e levar ao palco a classe operária.
Aqui faz-se um apanhado da gênese de Black-tie, que na verdade já estava escrito há dois anos, recebeu algumas leituras em casas de amigos, ficou esse tempo na gaveta e só saiu de lá quando José Renato decidiu que não dava mais para manter o Arena e, já que era para fechar, que fosse com um texto de dentro do grupo.
Daí segue-se uma das temporadas mais longas da época (quase um ano seguido em cartaz).

III. Fi-lo porque qui-lo

O FILHO PRÓDIGO DEIXA A CASA
Black-tie inspira a criação do Seminário de Dramaturgia dentro do Arena, formado por artistas de dentro e fora do grupo para a criação e discussão de novos textos teatrais, inspirados pela brasilidade da peça de Guarnieri.
Daí saem diversos espetáculos que dariam continuidade à chamada “fase nacionalista” do Teatro de Arena, como Revolução na América do Sul, de Augusto Boal, e Chapetuba Futebol Clube, de Vianinha.
Mas Guarnieri não fica para a colheita dos frutos de sua obra. Seu talento chama a atenção e, no fim de 58, ele deixa o grupo para escrever e montar Gimba (1959), a convite de Maria Della Costa, e depois A semente (1961), que também ajuda a tirar o TBC de uma crise.
As peças dão continuidade à temática do morro e da luta operária de Black-tie, de forma até mais contundente.

EU VI UM BRASIL NA TV
Com dez anos de idade, a televisão no Brasil começa a crescer e tomar espaço. No início da década de 60, artistas do teatro começavam a revezar seu ofício com empregos na nova indústria, carente de profissionais próprios e oportunidade de trabalho e salário fixos.
É quando começa a participação de Guarnieri na TV, escrevendo textos e atuando em teleteatro na Tupi e Excelsior.

VOLTA AO LAR
Depois do “retiro profissional” dos ares do Arena, Guarnieri volta ao elenco da Teodoro Baima em 62, e, junto a Boal, Juca de Oliveira e Flávio Império, torna-se dono da companhia, com a saída de Zé Renato.
Esgotada a empreitada nacional, o Arena agora trabalha com a chamada “nacionalização dos clássicos”, sua segunda fase. Maquiavel e Lope de Vega são reutilizados para a realidade brasileira.

IV. 1º de abril

1964
Durante 1963 Guarnieri participou de congressos camponeses e conviveu com a classe em diferentes oportunidades. A experiência rende sua terceira peça, Filho do cão, texto ambientado no Nordeste sobre reforma agrária, que estrearia em 21 de janeiro de 64 no Arena.
No mesmo ano, fevereiro, Guarnieri começa a escrever uma coluna de crônicas para o jornal Última Hora, em que reincide no tema dos operários e seu cotidiano.
A coluna dura pouco mais de um mês. Filho do cão chega a dois. Ambos acabam em abril, com o golpe de 31 de março.
A temporada é encerrada, o Arena fecha e seus artistas se dissipam, com medo. Guarnieri foge com Juca de Oliveira para a Bolívia.

DIÁRIOS DE UM FUSCA
Ao fim da noite do 1º de abril, apenas começando a entender o que estava acontecendo, Guarnieri e Juca de Oliveira batem à porta do amigo Cyro Del Nero pedindo ajuda para fugir. Cyro pega seu Fusca e, na mesma noite, os leva para a Bolívia, onde a dupla passará três meses de uma legítima aventura, com nomes falsos, pouca comida e sem poder falar com família e amigos.
Pouco depois da volta ao Brasil, fim de 64, Guarnieri separa-se de Cecília, a primeira mulher, para no ano seguinte já estar casado com Vanya, a segunda.

FESTIVAL DE MÚSICA BRASILEIRA
A ditadura ainda envergonhada que o golpe de 64 trouxe apenas estimulou mais a produção cultural engajada e a militância de esquerda no País.
Arena e Oficina, mesmo que em linhas diferentes (um político, outro estético) partem para montagens de ofensiva. Cria-se o Show Opinião (ainda em 64). O Cinema Novo revoluciona a linguagem. A TV era tomada por programação musical.
A música e a necessidade de reação também chegaram ao Arena. É a fase dos musicais. E também a fase em que o receio de falar diretamente cria as histórias indiretas.
A história secular de Zumbi e Tiradentes são trazidas para o Arena por Guarnieri e Boal no formato de alegorias musicais, abrindo margem para que a história dos heróis representem a atual revolução. Edu Lobo, Marília Medalha, Caetano, Gil e outros passam por lá nesse período.

V. Sexta-feira, 13

E FEZ-SE A TELENOVELA
Fenômeno mundialmente estudado por seu poder de atração das massas, a novela brasileira passou a existir regularmente na programação televisiva na segunda metade da década de 60.
A primeira novela de Guarnieri (A hora marcada, TV Tupi) foi ao ar em 1967. Daí até pelo menos 74, entre Tupi e Excelsior, faria no mínimo uma novela ao ano.
Chegou a dirigir algumas – inclusive uma estrelada por Pelé – e fez estrondoso sucesso ao lado de Eva Wilma em Mulheres de areia (TV Tupi, 1973).
É a partir daí que se torna um rosto conhecido em todo o País.

NINGUÉM LEMBRA BEM AO CERTO
Ninguém sabe datar o fim do Teatro de Arena. Foi em algum momento entre o AI-5, em 68, e o exílio de Boal, em 71.
Ninguém sabe direito também quando que os teatros deixaram de ter programação de segunda a segunda.
O cerco já estava fechado para a classe artística. Em 68, enquanto era encenada a Feira paulista de opinião no teatro Ruth Escobar (com textos de diversos autores, incluindo Guarnieri), no andar de cima o Comando de Caça aos Comunistas espancava os atores de Roda viva, em cartaz no mesmo teatro.
No piso escorregadio desse período, Guarnieri voltou a fazer trabalhos fora do Arena, lançando seus textos – também musicais – Memórias de Marta Saré (1968), uma encomenda de Fernanda Montenegro, e Castro Alves pede passagem (1971), que transformava o centenário do poeta em um programa de auditório.

VI. Eu te amo, meu Brasil, eu te amo

GRITOS PARADOS NO AR
Após Castro Alves, Guarnieri dá início a uma parceria com a Cia. Othon Bastos, que encenaria diversos textos seus. São dessa época Botequim e Um grito parado no ar, ambas de 72.
Na primeira, os freqüentadores de um bar não conseguem sair por conta de uma tempestade do lado de fora. Na segunda, um grupo de teatro não consegue concluir a montagem de seu espetáculo por diversos motivos de ordem financeira.
Nas duas, há algo precisando acontecer sem conseguir.
No ano seguinte, conquista o país com Mulheres de areia.

CHORAM MARIAS E CLARICES
Em 76, Guarnieri e a companhia de Othon Bastos encenam Ponto de partida, a história do enforcamento de um poeta pastor de cabras que é tomado como suicídio, em uma vila medieval.
O fato é diretamente inspirado na morte de Vladimir Herzog, em outubro do ano anterior

VII. Lento e gradual

O MENINO É O PAI DO HOMEM
Em 1981 Eles não usam black-tie vira filme, com direção de Leon Hirszman. Guarnieri, que havia interpretado o papel do filho que fura a greve em 1958, no Teatro de Arena, agora assume o papel de Otávio, o pai militante por vocação. O texto é transferido do morro carioca para o centro operário de São Paulo dos anos 80, que fervilhava nos últimos anos de ditadura. Guarnieri e todo o elenco estavam envolvidos no movimento.
ENTRE UMA DOSE E OUTRA
Durante os anos 80 Guarnieri é contratado pela TV Globo, onde fará novelas até o fim da vida, ao lado de vários colegas dos teatros dos anos 60 (Fernanda Montenegro, Raul Cortez, Paulo Autran, etc). É também nesse período em que é secretário de Cultura do Estado de São Paulo, no governo de Mário Covas.
VII. Um novo tempo
SEMPRE NO PALCO
Nos anos 90 e 2000, ainda escreve alguns textos que são levados ao palco, com bem menos frequência que na juventude, e menos ainda atua. Mas não deixa seu ofício de lado.
MISSÃO CUMPRIDA
No fim dos anos 90 Guarnieri teve que retirar um dos rins, em em 2001 inciou as sessões de hemodiálise, duas vezes por semana. Continou vivendo e trabalhando normalmente, como nas novelas Terra nostra, Metamorhoses e Vidas Cruzadas (as duas últimas na Record). A fraqueza só o tomou de fato em 2006, quando filmava Belíssima, na Globo. Deixou a gravação no meio, para ser internado, e não voltou mais. Era Copa do Mundo. Morreu em 22 de julho daquele ano.

Cronograma

Agosto 24, 2008

01/09: conclusão dos capítulos sobre “Gimba” (cap.6) e “A Semente” (cap.7)
 
08/09: “Arena Conta Zumbi” (cap.11) e “Teatro Paulista do Estudante (TPE)” (cap.3)
 
15/09: “Eles não usam black tie (filme)” (cap.16), “Infância” (cap.2), “Arena-TPE-Boal” (cap.5)
 
22/09: “Volta ao Arena/ Nacionalização dos clássicos” (cap.8), “1964 primeira parte” (cap 9)
 
29/09: “1964 segunda parte” (cap. 10), “Musicais” (cap. 12)
 
06/10: “1968″ (cap. 14), “Teatro de ocasião” (cap. 15) 

13/10: “Primeira novelas” (cap13), “Cambalacho/ Secretaria da Cultura” (cap.17)

20/10: “Anos 90″ (cap18) 

27/10: Revisão dos capítulos (verficar informações em aberto, dados repetidos, dar títulos, determinar odem definitiva). Fazer índice, bibliografia, paginação. 

03/11: Entrega.

Esqueleto – capítulos

Agosto 24, 2008

1. Black-tie

2. Infância

3. TPE

4. TBC/ Início do Arena (pré-TPE)

5. Primeiros anos Arena-TPE-Boal

6. Gimba (após retomada de Black tie), viagem à Europa

7. A semente + temporada no TBC

8. A volta ao Arena, nacionalização dos clássicos (Mandragora, Melhor Juiz o rei)

9. 1964 antes – Crônicas do Ultima Hora, Filho do Cão, Golpe

10. 1964 depois – Viagem à Bolívia, Tartufo, Opinião

11. Arena conta Zumbi

12. Musicais – Arena conta Tiradentes + Inspetor Geral, tenativas de Brecht (Circulo de Giz)

13. Primeira novela (‘A hora marcada’, 1967), retrospectiva trabalhos TV (teleteatro), primeira novelas

14. 1968 – Marta Saré, Feira de Opinião. AI-5. Castro Alves.

15. Teatro de ocasião – Botequim, Grito Parado no Ar. Mulheres de Areia. Herzog/Ponto de Partida.

16. Eles nao usam black tie – filme. Abertura política.

17. Cambalacho. Secretaria da Cultura

18. Anos 90, novelas e peças, início da doença

19. Morte.